Na semana passada tive a oportunidade de participar do Latin America World Economic Forum, o encontro latino-americano organizado pela fundação WEF, que realiza anualmente a reunião empresarial mais importante do mundo, em Davos, na Suíça. O Fórum Econômico Mundial da América Latina aconteceu nesta ocasião na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 14, 15 e 16 de abril.

Ao contrário do fórum de Davos, realizado em fevereiro, no qual se respirava um ar bastante pessimista, a percepção no WEF foi muito mais positiva. Por um lado, existe muito realismo em relação às graves dificuldades econômico-financeiras que os mercados afrontam, mas ao mesmo tempo também está a convicção que, uma vez transitada essa etapa, vamos encontrar a luz no final do caminho. Nesse cenário, nós que somos países subdesenvolvidos teremos que assumir responsabilidades frente a situação e ser os motores para apoiar os do primeiro mundo na sua recuperação. A América Latina é parte da solução, e essa foi a leitura comum que realizaram todos os presentes no fórum. Conforme o explicado, a crise não tem provocado um forte impacto nos países latino-americanos sendo que não contam com um sistema de crédito muito avançado, e conseqüentemente isso nos dá uma melhor posição entre os outros mercados. Pessoalmente, além do otimismo generalizado, acredito que será realmente complicado superar esta crise, que sem dúvidas vai fazer história e trará conseqüências determinantes na dinâmica dos mercados internacionais.

Por outro lado, toda a América Latina conta com uma dívida social enorme, e uma das conclusões destacadas que surgiram no fórum foi justamente ajudar e impulsionar os setores de menos recursos para assim fomentar o consumo naquele setor e ativar a economia também por esse meio.

Outro dos pontos analizados foi que, no passado, o antagonismo que dividia a região passava pelo conceito de esquerda contra direita. Hoje os opostos democracia contra autoritarismo estão dividindo claramente a região em dois grandes grupos, e isto poderia gerar como conseqüência um alto risco de padecer tiranias políticas.

Com este panorama, as redes sociais possuem um papel muito importante, não só na redefinição do modelo de negócios da mídia tradicional, mas também na transparência que dão aos processos eleitorais e na consolidação da democracia, otorgando um papel protagônico ao cidadão e suas opiniões. Através de uma rede social como o Sonico, a comunidade pode interagir diretamente com os políticos e ter um diálogo muito mais aberto com os governantes, pode se expressar livremente por meio de uma plataforma de comunicação social de alcance mundial, e fortalecer as bases do sistema democrático.

Para finalizar, outra das idéias que surgiram com o fórum foi o apoio que todos os países da região devem brindar às políticas integradoras e a necessidade de evitar cair em medidas protecionistas extremas para poder superar as dificuldades.

Pessoalmente, a participação no WEF Rio resultou muito interessante e positiva. O fórum se caracterizou pelo seu bom clima de cordialidade e respeito, as palestras estiveram muito bem planificadas, e a organização do evento em geral foi impecável, em tempo e forma. Além disso, os presentes estiveram abertos e predispostos ao diálogo; isso gerou um ambiente distendido, que permitiu compartilhar boas experiências.

Em toda crise mundial sempre há uma oportunidade de sair fortalecido, e isto ficou claro no resultado do fórum. Definitivamente o encontro foi útil para gerar sinergia e criar uma visão comum de como todas as regiões, integradas, podemos aprender e crescer dentro deste desafio.

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